A Nossa Doença Social é Branca

Categoria: NCN na luta

Artigo do Henrique Cunha Junior sobre o racismo brasileiro, "O sexo e as Nega" e outras patologias de um país estruturalmente racista. Henrique é membro fundador do NCN e professor titular da UFC.

A Nossa Doença Social é Branca

(por Henrique Cunha Júnior)

O Brasil é um país onde o racismo antinegro faz parte da estrutura social. A posição econômica e a vida da população negra são problemas sociais estruturais da formação histórica nacional em seus aspectos: social, cultural, política, sanitário, espacial e econômico. Relembrando, o grande sociólogo Guerreiro Ramos já nos propunha estudarmos a patologia social do branco brasileiro. Este branco histórico, categoria conceitual explicativa dos problemas da dominação estrutural no Brasil, conduziu os processos de escravismo criminoso e depois de capitalismo racistas. Produziu cinco séculos de dominação e, não satisfeitos, partem para outro.

O nosso problema é que a doença social branca trata-se de uma ideologia que mina a razão humanística da nossa população brasileira. Todas as vezes que os movimentos negros conseguem avanços nas melhorias das condições sociais da população negra, a doença branca é ativada e reage, procurando contaminara as mentes e os espíritos para produzir retrocessos, reforçando as suas possibilidades de mando e exercício do autoritarismo político ideológico, mantendo a população negra nos lugares da desqualificação social. Doença social é um conjunto de ideais e práticas que geram a morte de pessoas, que produzem a vida em condições ruins, causam dor e sofrimento desnecessários.

"Sexo e as Nega", seriado atualmente veiculado numa grande rede televisiva brasileira, faz parte da prática e da doença branca na sociedade brasileira. O problema da doença é quando os médicos se calam e se omitem, quando todo serviço de saúde mental fica paralisado. De assistirmos o que estamos assistindo ao descaso pela doença que avança e se prolifera e conduz às loucuras sociais e aos extermínios do genocídio. "Sexo e As Nega" é um grande genocídio mental e espiritual que afeta significativamente a vida de toda a população negra no país. O incrível é que o grande silencio não seja de luto e sim de concordância e omissão da sociedade.

O seriado reitera o mito de democracia racial e, nas minúcias elogiosas à população negra, manifesta os preconceitos. Celebra-se uma população que foi empurrada para as periferias, que vive as dificuldades da pobreza e ainda sim é descrita como feliz e satisfeita. Não é normal e aceitável que o referido grupo esteja submetido a condições de privação de acesso à educação etc. Tudo isso é socialmente e historicamente construído. Este seriado com aparência de inocente vem carregado das idéias do Gilberto Freyre, bem elogioso, mordaz e contemplativo, a doença social tratada como normal e sem importância alguma, sem medirem as conseqüências sobre a população negra. O problema não é o sexo, esse menos importa. O problema é toda conjuntura que nos registra nos parâmetros dos retrocessos políticos sobre a compreensão das desigualdades sociais brasileiras baseadas nas formas de imposição do racismo antinegro. Ela confunde os espíritos e adoece as mentes.

É nessa atemporalidade racista em que são manifestados os preconceitos contra a população negra travestidos de elogios e de celebração. Chamamos de doença branca o forte apelo para inserir na cabeça das pessoas heranças de Freyre da “cultura inferior”. Não é estereotipando a população negra por meio de um seriado que se enfrenta o racismo por meio da constatação e da contemplação das desigualdades. Retratar as populações negras dessa forma é aceitar e proliferar os mecanismos do racismo antinegro.

Nessa abordagem o racismo antinegro é um problema específico e particular que afeta a população afrodescendente devido às contingências da formação histórica do país e às relações de dominação elaboradas entre os grupos sociais de origem africana e europeia. Não trabalhamos com as categorias de raça social ou biológica, mas sim com a história sociológica. Entendemos que o racismo antinegro é parte do processo de formação das classes sociais brasileiras, numa elaboração que não foi, ainda, suficientemente estudada e enfrentada. 

Abaixo-assinado Manifesto pela criação da Casa da Cultura Negra na USP

Categoria: NCN na luta

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar.aspx?pi=ncnusp

Para: Governador e Deputados Estaduais de São Paulo e Reitoria da Universidade de São Paulo

Pedimos o seu apoio para que o Núcleo de Consciência Negra (NCN) conquiste o reconhecimento da Reitoria da Universidade de São Paulo e que esta nos conceda a autorização de uso do espaço que ocupamos há 26 anos para lutar contra o racismo e por inclusão sócio-étnico-racial da população negra.

A Casa da Cultura Negra será o espaço do Núcleo de Consciência Negra na USP.

A criação do NCN ocorreu em 13 Maio de 1987 através da auto-organização de funcionários, professores e estudantes da USP, que começaram então a fazer política a partir desta entidade do Movimento Negro, nascida dentro da USP.

Consolidamos nossa atuação política na Universidade com uma vitoriosa ocupação, que viabilizou criar o 1ª Curso Pré-Vestibular para Jovens Negros do Estado de São Paulo, e que continua em atividade até os dias atuais. Além do ‘Cursinho’ noturno e diurno, o Núcleo realiza inúmeras atividades políticas, educacionais, acadêmicas e culturais dentro da USP, dentre elas destacamos: o Centro de Estudo de Idiomas (CEI), os debates e seminários sobre a história, demandas e cultura afro-brasileira.

Nossa dificuldade de manutenção do barracão é histórica, pois a USP, ao longo dos nossos 26 anos de existência, sempre mostrou-se contrária à existência de uma associação autônoma com o perfil reivindicatório que temos, dentro de seus muros.

Desde sua fundação, o NCN cumpre um papel agregador entre ativistas da causa pelos direitos civis da população negra. Em seus 26 anos de (r)existência, o NCN sempre defendeu a necessidade de reparações históricas e a implementação de ações afirmativas para a população negra e, nunca deixou de mostrar à sociedade a contribuição da cultura afro-brasileira na formação do nosso país. A reitoria da USP decidiu negociar um Convênio conosco, mas até o momento não sinalizou onde pretende colocar o NCN e nossos projetos político-sociais.

Reivindicamos a criação da “Casa da Cultura Negra da USP”, pois temos uma vasta história dentro da USP, somos numericamente a maioria da população brasileira, mas ainda uma minoria política que não descansará enquanto não tiver seus anseios e direitos de inclusão, plenamente atendidos.

Assine nosso Abaixo-Assinado e some na luta!

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NOTA DE REPÚDIO CONTRA A AÇÃO DA PM NO NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA

Categoria: Notas

charge maioridade 

 

NOTA DE REPUDIO À AÇÃO VIOLENTA DA PM NO NCN

 

Na noite da ultima quinta-feira, 02/07/15 o Núcleo de Consciência Negra sofreu um dos seus piores ataques dos seus 28 anos de história, em mais uma operação truculenta e covarde a Policia Militar de São Paulo promoveu a invasão em nossa sede no horário do cursinho popular no período noturno, com alegação de estar perseguindo dois jovens negros que foram caçados no campus da Universidade. Os vários PMs adentraram à sala com armas que foram apontadas para todas e todos que estavam no recinto, sendo que um dos policiais entrou com uma metralhadora empunhada mesmo não havendo ninguém armado no local.

A partir deste momento o que se presenciou foi uma cena de horror e extrema truculência, com policiais empunhando armas e gritando ameaças aos jovens negros caçados e os alunxs e professorxs que tentavam compreender, assustadas, o que estava acontecendo. O professor que estava ministrando aula, numa demonstração de controle emocional, começou a questionar os policiais, pedindo que estes abaixassem as armas já que os dois jovens negros não apresentavam perigo, pois estavam desarmados e imobilizados.

Mesmo não tendo provas materiais contra os dois jovens negros, estes foram encaminhados para a delegacia, mas professores, membros da gestão e representantes de entidades também se dirigiram para o mesmo local para acompanhar o caso. Contamos também com a presença de advogados que acompanharam os procedimentos na delegacia.

Aos poucos obtivemos algumas informações sobre os jovens negros. Soubemos que são irmãos, tem 15 e 17 anos e residiam na São Remo, comunidade vizinha à USP. Quando crianças os dois irmãos costumavam brincar nas áreas verdes do campus, como faziam inúmeras famílias nos finais de semana, até que os dirigentes da instituição decidiram intensificar o apartheid já existente através do vestibular, construindo muros ao redor da Universidade.

Atualmente o acesso dos moradores da São Remo à universidade de São Paulo se restringe aos trabalhadores que prestam serviços nas empresas de segurança e limpeza. Estes cidadãos, negros em sua maioria, são invisíveis aos olhos da comunidade "uspiana", que vêem com naturalidade a exploração destes pelas empresas terceirizadas. Estes trabalhadores são vítimas constantes de calotes das empresas que fecham contratos com a USP e pouco tempo depois abrem falência fraudulenta para não pagar os salários e direitos trabalhistas aos seus funcionários.
No dia 02 de julho os dois irmãos andavam de bicicleta no campus, algo raro nos dias atuais, pois a maioria dos ciclistas vistos no Campus chegam de automóvel e utilizam as vias da universidade apenas como campo de treinamento.
O motivo dos dois irmãos terem se dirigido ao Núcleo em busca de socorro é uma incógnita para nós, mas esta decisão garantiu a integridade física de ambos, fortalecendo a importância política do espaço que nesse caso serviu como Quilombo dentro da USP, acolhendo os meninos, algo infelizmente raro em situações semelhantes a essa onde os dois jovens seriam expostos e entregues para a policia.

Alguns estudantes de nosso cursinho mostraram-se surpresos com os acontecimentos, pois não imaginavam que a polícia agiria na USP com o mesmo grau de violência que agem nas periferias. Sabemos que pelo papel de reivindicação que exerce, o NCN não possui o mesmo grau de blindagem que os demais espaços do campus, mostrando que a distinção territorial feita na sociedade, através dos marcadores raciais e sociais, se reproduz aqui e são determinantes para definir o grau de vulnerabilidade de nossa instituição. Afinal, um espaço que recebe jovens negros e de baixa renda e os prepara, muitas vezes com sucesso, para alcançarem uma vaga nas universidades públicas, mas que ao mesmo tempo problematiza, discute e coloque em pratica a luta contra as mazelas de nossa sociedade, não é bem visto pelo status quo e seus guardiões. Acreditamos que esse fato pode ser determinante para o nosso processo de ensino aprendizagem relações da sociedade.

Infelizmente não tínhamos estes dois jovens irmãos em nosso quadro de alunos, como gostaríamos, mas o grau de exclusão em nossa sociedade é tão dramático que projetos como o nosso têm um alcance restrito e vemos, com pesar, o extermínio de nossa juventude preta e pobre através dos assassinatos pela ação policial, mas também pelo projeto nefasto de encarceramento em massa, que rouba a dignidade, tirando a perspectiva de vida, humilhando e matando aos poucos esses jovens e suas famílias.

O principal projeto político do Núcleo de Consciência Negra é para que a juventude preta, indígena e pobre tenham acesso ao conhecimento, mas tudo isso passa pela garantia de sobrevivência destes jovens, com direito a uma vida plena, onde lhes sejam assegurados direito à cidadania, pois não podemos esquecer que foram seus ancestrais os responsáveis pela construção material e intelectual deste pais, através de sua força de trabalho e uso de tecnologias criadas pelos povos africanos e indígenas.
Condenamos a truculência policial contra dois jovens desarmados e imobilizados e o desrespeito dos policiais com nossos alunos, professores e com a nossa entidade. Os policiais que participaram desta ação cometeram vários abusos de poder que estão documentados e exigimos que sejam responsabilizados.
À direção da universidade cobramos esclarecimentos por permitir que a polícia militar continue a exercer sua truculência dentro do campus, como demonstrado em inúmeros casos, pois para quem estuda e trabalha na USP não interessa ter um aparato policial que coloque em risco sua integridade física.
Lutamos por mudanças estruturais em nossa sociedade, onde todas as pessoas, independente de sua cor de pele e status social, sejam tratadas com dignidade e o acesso ao conhecimento não passe pelo filtro racial.

Não se pode separar paz de liberdade porque ninguém consegue estar em paz a menos que tenha sua liberdade.

Malcolm X

 

POSICIONAMENTO DO NCN A ADOÇÃO DO ENEM COMO FORMA DE INGRESSO NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA USP

Categoria: Notas

O Núcleo de Consciência Negra na USP: uma história de luta e resistência.

O Núcleo de Consciência Negra (NCN) novamente se posiciona contra a falsa política de inclusão da nossa população preta, pobre e periférica no que se refere ao acesso ensino superior promovida pela Universidade de São Paulo, no ultimo dia 23 de junho de 2015.

A FUVEST é um mecanismo que reforça a falsa meritocracia ao transferir para a população pobre, preta e moradora nas periferias a responsabilidade pelo seu não ingresso nesta Universidade. Com a pressão do Movimento Negro e dos Movimentos Sociais, a USP lançou nos últimos anos propostas como o Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP) com uma politica de acréscimo de bônus que o candidato preenchendo todos os requisitos terá no máximo 12% em cima da sua pontuação, ou seja, para os cursos mais concorridos e com a nota de corte alta como Medicina e Engenharia, o candidato deve obter uma pontuação alta para que o bônus tenha efeito. Outra proposta foi o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista o (PIMESP) que propôs a inclusão de 2 mil alunos de escolas públicas em um curso com duração de 2 anos com o nítido objetivo de ressocialização desses ingressantes que não se enquadravam nos padrões da elite paulistana. Esse projeto foi derrubado por pressão social.

Agora a USP, mais uma vez, lançou um programa sem abrir diálogo com os movimentos que lutam por acesso e permanência há muitos anos e de forma autoritária e impositiva, aprovou o uso da nota do ENEM através do SISU para o ingresso em alguns cursos de graduação, reservando somente 1489 vagas que equivalem aproximadamente 13,5% do seu total de vagas, dando total autonomia para as escolas que aderiram escolher a modalidade de seleção como:

  • Ampla Concorrência, colocando todos os candidatos em disputa entre si sem fazer o recorte de raça, renda e alunos de escolas públicas;

  • Alunos de escolas públicas sem a obrigação de fazer o recorte de raça ou renda;

  • Alunos de escola pública que independentemente da sua renda se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas.

Se o país é composto por mais de 51% da população autodeclarada de negrxs e no que se refere ao Estado de São Paulo são 37%, a proposta da USP não atende a real necessidade de inclusão e permanência dessa população que historicamente foi escravizada e que até os dias atuais sofrem consequências de uma politica de genocídio implantada principalmente nas periferias.

Esse projeto não garante a reparação exigida pelo Movimento Negro, que organizado por mais de 60 entidades incluindo o Núcleo de Consciência Negra redigiram o Projeto de Lei da Frente Pró Cotas que propõem.

  • 25% (vinte e cinco por cento) para candidatos autodeclarados negros e indígenas;

  • 25% (vinte e cinco por cento) para candidatos oriundos da rede pública de ensino, sendo que deste percentual 12,5% será reservado para estudantes cuja renda familiar per capta seja igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (um salário-mínimo e meio);

  • 5% (cinco por cento) para candidatos com deficiência, nos termos da legislação em vigor.

Portanto, temos um projeto de vestibular para 2016 na USP que continua a representar a elite branca de São Paulo, que não tem critérios para escolher o número de 13,5% das vagas, não há um recorte de classe e raça sendo assim não garante a reserva de vagas para a população pobre e preta, pois deixa a critério de cada escola a forma de seleção dos candidatos, além de ignorar os docentes, até mesmo os da própria USP, que estudam sobre racismo e formas de acesso.

Com isso o NCN condena qualquer tipo de proposta que ignore a luta e o conhecimento acumulado pelos movimentos negros e sociais e apoiamos integralmente a PL da Frente Pró Cotas.

POR UMA REAL REPARAÇÃO AO POVO POBRE E PRETO!

Para saber mais sobre a Projeto de Lei da Frente Pró Cotas acesse: 

http://frenteprocotasraciaissp.blogspot.com.br/

Manifesto dos Movimentos Sociais da USP Contra a Redução da Maioridade Penal

Categoria: Notas

Núcleo de Consciência Negra assina o MANIFESTO CONTRA A

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL dos Movimentos Sociais na

USP

 

Depois do I Seminário de Negros e Negras na USP, foi elaborado um manifesto repudiando a PEC 171, que preve a redução da maioridade penal de 18 anos para 16.

Sabemos que essa mudança somente afetará a população pobre e preta e será um retrocesso a luta de anos do Movimento Negro e Movimentos sociais, comprometidos com a luta popular, contra o Genocídio da População Preta.

Não podemos deixar essa mudança ocorrer!!!

Leia o Manifesto e apoie essa luta!

 

Vamos participar da reunião da FRENTE ESTADUAL CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Mais um ataque ao Núcleo de Consciência Negra na USP

Categoria: Notas

São Paulo, dia 23 de Julho de 2012

Os alunos, colaboradores e coordenadores do Núcleo de Consciência Negra (NCN) foram surpreendidos na última semana com a notícia de que o espaço ao lado do NCN, onde funcionava a vivência do Centro Acadêmico da Faculdade de Economia e Administração da USP (o CAVC), fora transferido para outro local e que haviam sido retiradas as telhas do barracão e parte das paredes na parte de cima, deixando um enorme buraco na parede que ligava as duas entidades.

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Nota Pública do Núcleo de Consciência Negra sobre a tentativa de demolição do seu barracão na USP (05/01/2012)

Categoria: Notas

No dia 21 de dezembro de 2011, o Núcleo de Consciência Negra na USP (NCN) foi surpreendido por uma tentativa de demolição do barracão onde desenvolve suas atividades no Campus Butantã da Universidade de São Paulo. Por conta disso, o barracão ficou sem fornecimento de água durante um dia e as aulas do seu Cursinho Popular Pré-Vestibular para 2ª fase da FUVEST tiveram de ser canceladas.

A tentativa de demolição aconteceu no período de férias, quando o campus fica praticamente vazio. Esse ataque ao NCN é mais um dos muitos ataques sofridos por aqueles que lutam pela democratização da USP, para que nela estudem jovens negros e da classe trabalhadora e para que o conhecimento gerado seja usado em benefício da sociedade e não do mercado.

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