Moção de apoio ao NCN

Perante os recentes ataques à estrutura física do Núcleo de Consciência Negra na USP, diversas entidades assinaram uma moção de apoio à luta e resistência da entidade. Para assinar, mande email para: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.


Moção de solidariedade ao Núcleo de Consciência Negra

As entidades dos movimentos sindical, estudantil, popular, negro, LGBT e feminista, participantes da reunião estadual da Central Sindical e Popular, Coordenação Nacional de Lutas (CSP-Conlutas), no dia 11 de agosto, vêm a público denunciar os ataques que estão sendo feitos, pela reitoria da Universidade de S. Paulo, contra o Núcleo de Consciência Negra (NCN) e conclamar todos os movimentos sociais a cercarem a entidade de solidariedade e apoio, para garantir a continuidade de sua existência no interior da Universidade.

Criado há exatos 25 anos, o NCN tem sido a principal (e uma das únicas) vozes a denunciar e lutar contra a absurda e racista realidade da USP, onde negros e negras compõem menos de 5% dos estudantes e ridículos 0.9% dos professores. Como forma de combate a esta situação, o NCN tem mantido um bem sucedido curso pré-vestibular para estudantes negros e de baixa renda, além de uma série de outras atividades políticas, culturais e sociais que aglutinam alunos, funcionários e, inclusive, membros da comunidade ao redor da universidade.

Neste mesmo período, o NCN também cumpriu papel de destaque nas principais lutas do movimento negro nacional, tendo sido uma das primeiras entidades a levantar a bandeira das cotas e contra a violência racial. Exatamente em função deste histórico e da perspectiva racista e elitista que é adotada pela universidade, o NCN sempre foi um “incômodo” no interior da USP e jamais foi legitimamente reconhecido pela reitoria que já tentou desalojá-lo em várias oportunidades.

Lamentavelmente, sintonizada com a política de higienização social e criminalização dos movimentos sociais, que tem sido a marca registrada do governo Alckmin, a reitoria, sob a gestão do reitor João Grandino Rodas, tem avançado na velocidade e profundidade dos ataques em função do elitista projeto de urbanização que está em curso no campus Butantã. Uma política que também tem demonstrado seu caráter nos violentos ataques contra o movimento sindical e estudantil (através de prisões, cerceamento da organização e uma série de outras medidas autoritárias).

Há cerca um mês, uma parede do NCN foi derrubada e a sede foi praticamente saqueada, com o roubo de computadores, equipamentos e materiais dos mais diversos. O NCN, com apoio do movimento, reergueu a sede, contudo, na semana passada, outra parede foi derrubada e a destruição física do Núcleo, lamentavelmente, é iminente.

Verdadeiro "quilombo" no interior de um "território" dominado pela política elitista e excludente, cuja lógica (apesar da resistência dos movimentos estudantil e sindical que atuam no seu interior) é a de garantir os interesses da elite (branca) brasileira, o Núcleo de Consciência Negra já é parte da História dos movimentos negro e social brasileiros. Uma história que não pode ser interrompida por uma reitoria, anti-democrática e autoritária.

Diante desta situação, a Coordenação Estadual da CSP-Conlutas São Paulo e as entidades presentes na reunião da direção estadual da CSP-Conlutas S. Paulo não só vem à publico exigir a imediata paralisação dos ataques ao NCN, mas também conclamar todas as entidades dos movimentos sindical, popular, estudantil, negro, LGBT e feminista a também se manifestarem, enviando mensagens para:

  1. Reitoria da Universidade de S. Paulo: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
  2. Com cópia para Núcleo de Consciência Negra: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Moção aprovada por unanimidade pelas seguintes entidades, minorias e oposições sindicais

  1. ANEL - Assembléia Nacional dos Estudantes-Livre
  2. Bloco de Resistência
  3. CAS - Coletivo dos Artistas Socialista S. Paulo
  4. Comando de Base do Judiciário de S. Paulo
  5. Comunidade San Remo
  6. Luta Popular
  7. Motoboys Santana do Parnaíba
  8. Oposição Alternativa (minoria) da Apeoesp (Sind. Prof. do Ensino Oficial de SP)
  9. Oposição Bancária de S. Paulo
  10. Oposição da Assoc. dos Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  11. Oposição do Sind. dos Trabalhadores em empresas de Correios, Telégrafos de S. Paulo
  12. Oposição dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de S. José dos Campos
  13. Oposição Municipais de Guarulhos
  14. Quilombo Raça e Classe
  15. Sinpeem (minoria) - Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal de SP
  16. Sindicato dos Advogados de S. Paulo (minoria)
  17. Sindicato dos Químicos de Osasco (minoria)
  18. Sindmetal S. José dos Campos - Sindicato dos Metalúrgicos de S. José e Região
  19. Sindsef - Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Estado de SP
  20. Sinsprev (minoria) – Sind. dos Trabalhadores em Saúde e Previdência de S.P.
  21. Sintect Vale do Paraíba – Sind. dos Trab. Correios, Telégrafos do V. do Paraíba e Litoral Norte
  22. Sintrajud - Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de SP
  23. Comitê Pró-Haiti
  24. Rede Autônoma de Proteção aos Ameaçados de Morte