Encarceramento em Massa e Genocídio da População Preta

 Dia 28 de Novembro, o NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA, fechou o mês com uma atividade para tratar de um assunto que temos como uma de nossas prioridades, que é a luta contra o Genocídio da População Pobre e Preta. O debate girou em torno de uma das faces do Genocídio que é o Encarceramento em Massa.

Para compor a atividade convidamos a Jornalista Carolina, do Jornal A Ponte, que nos mostrou dados de como a imprensa trata a questão racial. O assunto que mais aparece nos jornais é sobre Cotas, e na maioria das vezes mostrando ser contra essa política de acesso. Raramente convidam o Movimento Negro para opinar. Quando se trata de violência, não se preocupam em detalhar sobre características como a cor da vítima, por isso muitas vezes se torna difícil convencer a população de que há um genocídio da População Preta, pois só mostram que as chacinas ocorrem nas periferias, portanto a violência ocorre com a População Pobre, independente de cor, mas sabemos que não é somente isso. É nítido que há uma tentativo de manipular e encobrir uma política de Estado, e de naturalizar a morte de jovens pretos da periferia. Por isso se faz necessário uma luta conjunta e organizada de todos que são contra o racismo institucional e perverso que mata a população negra todos os dias, seja através da violência policial, ou através da falta de saúde e moradia.

Também participou da atividade a Advogada Dinal Alvez, que além de Militante da Uneafro faz Mestrado sobre as Mulheres Encarceradas. Desde o inicio de sua fala deixou nítido que não pretendo com o trabalho tratar essas mulheres que tanto sofrem, como objeto de estudo e sim tem como objetivo utilizar seu mestrado para que de alguma forma seja denunciado e para que o Movimento Negro tome como prioridade essa luta, contra o Encarceramento em Massa e as diversas prisões injustas e que ocorrem de maneira ilegal, com torturas e humilhações. Nos trouxe relatos que nos permitiu ter uma ideia de como funciona esse processo de prisão de mulheres que em sua maioria são negras, pobres e que tiveram pouco chances para acessar a educação formal. Nos deixou revoltados quando nos relatou sobre o descaso do Estado em relação a essas mulheres. Sabemos que são vítimas do próprio Estado, porém são tratadas como criminosas que ameaçam a sociedade. Essa face do genocídio contra a Mulher Negra, para além do encarceramento em massa, se dá através da falta de saúde e também através de toda sobrecarga que a mulher tem que enfrentar quando seus filhos e filhas são mortos ou encarcerados, pois a responsabilidade sempre caí sobre a mãe, nessa sociedade machista. 

Membro da Gestão e Educador da Fundação CASA, Everton dos Santos nos trouxe um pouco da realidade dos meninos que tem suspenso seu direito de viver com a família e com amigos. Em absoluta maioria as histórias se repetem, não por coincidência, mas por projeto político de Estado. São filhos de famílias que vem do Nordeste, Pretos e Pobres. São vítimas de uma sociedade que os abandonam desde o momento do parto, quando não são a assistência que suas mães precisam, não oferecem uma educação de qualidade e que faça com que se reconheçam enquanto sujeito histórico e capaz de transformar essa sociedade racista, pelo contrário, permite com esses jovens encontrem somente no crime organizado a atenção que o Estado não se preocupa em dar. São meninos pretos, pobres e que passam por uma rotina que os tratam como qualquer coisa, menos como seres humanos.

O Núcleo de consciência Negra quer agradecer a oportunidade que os convidados e convidadas nos proporcionaram. Sabemos que a luta deve seguir para além dos debates, mas que esses momentos sirvam para nos fortalecer e para nos organizar cada vez mais para enfrentar esse racismo perverso que tenta nos eliminar pouco a pouco, através do extermínio, pelo braço armado do Estado, pela falta de atendimento ou por sermos atendidos de forma desumana pelos profissionais da saúde, pela falta de respeito com a nossa cultura e história africana dentro das salas de aula ou pela falta de direito a cidade. Vamos humanizar os discursos e fortalecer essa luta que seja faz necessária todos os dias e em todos os espaços.

Essa atividade faz parte da Campanha Nacional pela Liberdade do Preso Político e Negro Rafael Braga!! 

Atividade Contra o Genocídio da População Preta